Sugerimos que por altura das comemorações do Dia Mundial da Água nos relembremos de que não há saúde pública, produção alimentar, equilíbrio ecológico ou futuro sustentável sem água de qualidade. E lembramos também que, de toda a água existente no planeta, apenas 3% é doce, e desta, cerca de dois terços está na forma de glaciares e calotes polares. A água doce acessível em rios, lagos e aquíferos representa menos de 1% de toda a água do planeta. É com essa fracção que a humanidade alimenta campos, abastece cidades, move indústrias e sustenta ecossistemas.

Perdas de energia: Onde estão e como reduzir
As perdas de energia eléctrica representam um dos principais desafios operacionais e económicos dos sistemas energéticos. Em sistemas em desenvolvimento, como o de Angola, estas perdas têm um impacto directo na sustentabilidade financeira do sector e na capacidade de expansão do acesso à electricidade.
De forma geral, as perdas de energia dividem-se em duas categorias principais: perdas técnicas e perdas não técnicas. As perdas técnicas estão associadas ao próprio funcionamento do sistema eléctrico, ocorrendo naturalmente ao longo das linhas de transmissão e distribuição, transformadores e outros equipamentos. Estas perdas resultam de fenómenos físicos como o efeito Joule, dependente da resistência dos condutores, da corrente eléctrica e das características da rede.
Já as perdas não técnicas estão relacionadas com factores externos ao funcionamento físico do sistema, incluindo ligações ilegais, erros de medição, falhas na facturação e limitações nos processos de controlo e gestão comercial. Em muitos contextos, estas representam uma parcela significativa das perdas totais, exigindo abordagens que vão além da engenharia pura.
A identificação precisa das origens das perdas é o primeiro passo para a sua redução. A implementação de sistemas de monitorização e medição avançada, suportados por tecnologias da Quarta Revolução Industrial, permite segmentar a rede, detectar anomalias e actuar de forma direccionada. Soluções baseadas em Internet das Coisas e Inteligência Artificial possibilitam a análise de grandes volumes de dados, contribuindo para uma gestão mais eficiente e proactiva.
No contexto angolano, onde coexistem redes extensas, infra-estruturas em diferentes estados de conservação e desafios ao nível da fiscalização e operação, a redução de perdas exige uma abordagem integrada. A reabilitação de redes, a substituição de equipamentos obsoletos, a melhoria dos sistemas de medição e a digitalização dos processos comerciais são medidas complementares que devem ser implementadas de forma faseada e coordenada.
Adicionalmente, o reforço da capacitação técnica e a sensibilização dos consumidores desempenham um papel fundamental na mitigação das perdas não técnicas. A transparência nos processos e o uso de tecnologias adequadas contribuem para aumentar a confiança no sistema e promover uma utilização mais eficiente da energia.
A redução das perdas de energia não é apenas uma questão técnica, mas uma prioridade estratégica. Ao melhorar a eficiência do sistema, é possível libertar capacidade existente, reduzir custos operacionais e criar condições mais favoráveis para o investimento e a expansão do sector eléctrico em Angola.
Reduzir perdas é, muitas vezes, o investimento mais rápido em retorno.
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